segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

AÇAÍ DO PARÁ DEVE CONQUISTAR O MUNDO

Governo trabalha para transformar o fruto em um sucesso planetário.

O mundo quer o novo, em cor, em aroma, em sabor”, garante o pesquisador da Embrapa João Tomé de Farias. “E, quando se trata de frutas, nada é mais novo, em termos planetários, do que o açaí, que ainda tem, por exemplo, toda a China como provável mercado.” É de olho neste mercado que o governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Mineração e Energia (Sedeme), transformou o açaí na estrela do programa Pará 2030, com ações de desenvolvimento e verticalização a partir de 14 cadeias produtivas.

Os resultados foram imediatos. Na quinta-feira passada, na reunião da Comissão de Incentivos do governo, duas novas empresas receberam incentivos fiscais para instalar plantas industriais de açaí, em Castanhal e Igarapé-Miri. Elas se juntam a outras oito já incentivadas pela Política Estadual do Açaí, articulada para atrair empresas e dar incentivos para que outras, que produziam apenas polpa, industrializem a fruta. Na semana anterior, a agência GIZ, ligada aos ministérios Açaí tradicional no Pará é consumido juntamente com outras frutas em diferentes países IGOR MOTA - ARQUIVO do Desenvolvimento e do Meio Ambiente da Alemanha, participou de reunião na Sedeme para ter mais informações sobre o açaí. A agência, que tem 18 mil funcionários em 120 países, pretende investir 350 mil euros no Brasil nos próximos anos. As cadeias do açaí, no Pará, e da carnaúba, no Ceará, são as duas prospectadas até agora. No âmbito do Pará 2030, dois casos emblemáticos ilustram a progressão do desenvolvimento da cadeia da fruta: a Frooty Acaí leva polpa do Pará pra industrializar em São Paulo; hoje, implanta uma indústria em Mocajuba, gerando 250 empregos. A paraense Bonny Acaí industrializava a polpa em Itaipava (RJ). Agora, vai industrializar em Igarapé-Miri, gerando 150 empregos. “O açaí é estratégico porque, além do extraordinário potencial econômico, beneficia diretamente a agricultura familiar e abrange dezenas de municípios onde o IDH é muito baixo”, pondera o titular da Sedeme, Adnan Demachki. “Hoje, produzimos um milhão e cem mil toneladas do fruto; a política para esta cadeia prevê aumentar a produção em 50% até 2030.”

DINHEIRO

Para João Tomé de Farias, agrônomo com doutorado em genética e melhoramento de plantas, cultivar açaí irrigado no Pará é o melhor negócio agrícola hoje do Brasil. “Existe uma demanda reprimida tanto no Estado (que não dá conta de atender a todos os municípios), no Brasil (onde a exportação ainda se concentra em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), e no mercado internacional, onde o açaí chega a trinta países, mas 80% da exportação se concentram em Estados Unidos, Japão e Austrália.” O engenheiro agrônomo Geraldo Tavares, gerente de Fruticultura da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), informa que um pé de açaí demora, em média, quatro anos para frutificar e o período produtivo dura oito anos. “Depois, os pés ficam muito altos e também a produtividade começa a cair.” Noventa por cento do açaí produzido hoje no Estado ainda é nativo, de várzea.

E grande parte dele permanece intocada, por estar dentro de grandes matas, quase inacessíveis. Daí que a plantação é um negócio que vai se expandir muito nos próximos anos. “A Política Industrial do Açaí inclui, além de incentivos de até 95% de isenção, o Pró Açaí, que prevê o plantio de 40 mil hectares de açaí irrigado”, informa o titular da Sedeme, Adnan Demachki. “Quem investir no açaí, tanto na industrialização, quanto no cultivo, vai prosperar, sem dúvida nenhuma.” João Tomé de Farias diz que a grande dificuldade para o plantio, hoje, ainda é o maquinário para irrigação. “Custa em torno de dez mil reais, com vida útil de cerca de dez anos. A despeito dos custos de manutenção, o retorno é alto e garantido”, afiança Tomé. “As plantações irrigadas têm alta produtividade, facilitam o transporte e o trânsito de tratores para a limpeza, além de produzir o ano inteiro.” (Setenta por cento do açaí é produzido de agosto a dezembro. Nos demais meses, a entressafra chega a dobrar o preço.

E gera fatos curiosos: quatro municípios do extremo Marajó (Gurupá, Afuá, Chaves e Anajás) têm o ciclo invertido e, durante nossa entressafra, exportam açaí para Belém, em canoas cheias de gelo. Também se diz, nesses meses, que Belém consome açaí vindo do Amapá.

Na verdade, o açaí do Marajó vai paro Amapá, pertinho de lá, e vem de avião pra Belém: o alto preço aqui na entressafra compensa.

Fonte: O Liberal

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